terça-feira, 10 de julho de 2018

Boletim diário da ONU Brasil: “Mais de 60% dos organismos causadores de doenças chegam aos humanos por animais vertebrados” e 11 outros.


Posted: 09 Jul 2018 02:32 PM PDT
A brucelose bovina é uma doença transmissível que ataca bovinos, outras espécies animais e o homem. Foto: EBC
A brucelose bovina é uma doença transmissível que ataca bovinos, outras espécies animais e o homem. Foto: EBC
Você sabe o que são zoonoses? O nome é estranho, mas a ideia é bem clara: são doenças que os animais vertebrados, como o boi ou o cachorro, podem transmitir naturalmente para o homem. Dos 1.415 organismos e agentes causadores de infecções entre os humanos, 61% podem chegar ao nosso organismo por esses animais. Para alertar sobre os riscos trazidos por essas enfermidades, instituições internacionais lembram o Dia Mundial das Zoonoses, observado em 6 de julho.
Essas patologias também prejudicam a saúde dos seres vertebrados e a economia que gira em torno dos animais de criação. Segundo o Centro Pan-Americano de Febre Aftosa (PANAFTOSA), mais de 20% das perdas produtivas da pecuária são provocadas por doenças animais.
A AIDS, a gripe suína H1N1, a influenza aviária H5N1 e o ebola são exemplos de zoonoses que ameaçam consideravelmente a saúde humana. Outros exemplos incluem a peste bubônica, do século XIV, e a salmonela, descoberta nos Estados Unidos nos anos 1880.
Vinculado à Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o PANAFTOSA tem por missão fortalecer os programas nacionais e locais de prevenção, vigilância, controle e eliminação das zoonoses. O organismo desenvolve ações para enfrentar tanto as novas doenças, como também patologias reemergentes.
A entidade regional recomenda a educação e conscientização dos cidadãos, para que conheçam os riscos de transmissão. Aos governos, indica que adotem políticas de Estado abrangentes, capazes de levar em conta fatores como mudanças climáticas, desmatamento, incêndios florestais e consequentes perdas de biodiversidade. Outros fenômenos que devem ser monitorados são a presença de animais abandonados em espaços públicos, as viagens intercontinentais, as mutações dos agentes causadores de doenças e o aparecimento de novos vetores.
O 6 de julho foi escolhido para marcar o Dia Mundial das Zoonoses porque é a data em que o cientista francês Louis Pasteur injetou a primeira dose do tratamento antirrábico em um jovem que havia sido mordido por cães, em 1885.
Posted: 09 Jul 2018 02:18 PM PDT
Participantes do evento na Argélia discutiram as políticas nacionais e respostas programáticas à insegurança alimentar. Foto: PMA
Participantes do evento na Argélia discutiram as políticas nacionais e respostas programáticas à insegurança alimentar. Foto: PMA
Representantes do Centro de Excelência contra a Fome, fruto de uma parceria entre o governo brasileiro e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) das Nações Unidas, participaram na semana passada (2) de um seminário sobre segurança alimentar e nutricional na Argélia.
O evento “Segurança alimentar e nutricional na Argélia: situação e perspectivas” foi uma oportunidade para ministérios e parceiros de instituições técnicas trabalharem juntos e iniciarem um diálogo sobre conclusões preliminares a respeito das lacunas e recomendações para a segurança alimentar no país.
O Centro de Pesquisa Econômica Aplicada ao Desenvolvimento apresentou conclusões preliminares de um estudo sobre a situação da segurança alimentar e nutricional na Argélia, abordando programas e políticas que já existiram ou que estão em operação no país.
Christiani Buani, chefe de programa do Centro de Excelência, apresentou boas práticas de Cooperação Sul-Sul para a segurança alimentar e nutricional e alguns exemplos de programas de alimentação escolar vinculada à agricultura local e seus amplos impactos no desenvolvimento sustentável. Durante o evento, o PMA fez apresentações sobre temas variados relacionados ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 2 – a Fome Zero.
O seminário foi organizado pelo Instituto Nacional de Estudos Estratégicos Globais (INESG) e pelo Centro de Pesquisa Econômica Aplicada ao Desenvolvimento, em parceria com o PMA.
Os participantes discutiram as políticas nacionais e respostas programáticas à insegurança alimentar, o mapeamento de vulnerabilidades, exemplos de sucesso de programas sociais e boas práticas em nutrição. O objetivo foi coletar recomendações para que o país possa alcançar fome zero.
Posted: 09 Jul 2018 01:58 PM PDT
O II Encontro Anual da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Operações de Paz (REBRAPAZ) reuniu na quinta-feira (5) profissionais e pesquisadores civis e militares, generais do exército, diplomatas e membros de organizações da sociedade civil na Escola de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME), no Rio de Janeiro.
O objetivo foi discutir pesquisas realizadas pelos grupos de trabalho da rede e revisar problemas e sucessos das últimas operações de paz da ONU, especialmente a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), da qual o Brasil fez parte e comandou o componente militar por 13 anos (2004–2017).
Um dos participantes do encontro foi o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que presidiu o relatório Santos Cruz, estudo sobre a crescente violência contra os capacetes-azuis da ONU, que resultaram num aumento da morte de soldados em missões de paz.
O estudo foi encomendado ao general pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, e foi divulgado no início deste ano. “Discutimos como e por que é importante o Brasil se manter presente nesse tipo de operação (de paz). Acredito ser um dos assuntos mais importantes da ONU atualmente, principalmente se o país quiser projeção internacional”.
O evento contou também com a presença de Maurizio Giuliano, diretor do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), apoiador da REBRAPAZ. Para Giuliano, “o trabalho desenvolvido pela REBRAPAZ é essencial e de grande importância para o futuro das missões de paz”. “Militares e acadêmicos envolvidos nessa área são nossos parceiros-chave, que podem nos ajudar a definir os melhores caminhos para podermos melhorar nossa contribuição à paz”.
A REBRAPAZ é dividida em quatro grupos de trabalho: proteção de civis; uso da força; capacidades e performance; e mulheres, paz e segurança. Cada grupo de trabalho organizou uma mesa redonda com um tema ligado às suas respectivas linhas de pesquisa.
As principais discussões abordaram a viabilidade de um maior uso da força pela parte dos militares em operações de paz para cumprir os mandatos do Conselho de Segurança e para garantir a autodefesa dos capacetes-azuis e a segurança dos civis.
Também foram discutidos os resultados e as consequências do relatório Santos Cruz para este tema. Este tem sido um assunto central na área, principalmente nas operações que ocorrem no continente africano, como a MINUSCA, na República Centro-Africana, a MINUSMA, no Mali, ou a MONUSCO, no Congo.
Para Giuliano, “infelizmente, o uso da força está se tornando mais e mais a norma e não a exceção”. “Para proteger a população civil, e para impor a paz, pode ser necessário usar até a força letal. Infelizmente, já não estamos mais numa ótica de somente manter a paz ou de fazer respeitar uma trégua, mas em uma ótica de imposição de paz e, por vezes, isso só é possível por meio do uso da força”.
Outro ponto central das discussões foi a maior participação das mulheres em operações de paz, considerada essencial para o melhor andamento da missão. Sua participação gera mais facilidade de coordenação civil-militar, principalmente em regiões de cultura islâmica ou tribal, segundo os participantes. Atualmente apenas de 4% a 6% do componente militar em missões de paz são mulheres, podendo variar de missão para missão.
Posted: 09 Jul 2018 01:41 PM PDT
Halima Aden em visita ao campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. Foto: TEDxKakumacamp/Tobin Jones
Halima Aden em visita ao campo de refugiados de Kakuma, no Quênia. Foto: TEDxKakumacamp/Tobin Jones
Nascida em 1997 no campo de refugiados de Kakuma, nordeste do Quênia, a modelo Halima Aden, de origem somali, sacudiu as passarelas norte-americanas e europeias quando começou a carreira em 2017, desfilando para grandes nomes da moda e usando o seu hijab, o véu que muitas mulheres muçulmanas vestem.
Mais do que uma voz pela diversidade religiosa, a jovem de apenas 20 anos anos é também uma ativista dos direitos das crianças e adolescentes migrantes. Neste mês (2), Halima recebeu o título de embaixadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) nos Estados Unidos.
Em junho, a manequim voltou ao assentamento de Kakuma, onde moram 185 mil refugiados e solicitantes de refúgio, forçados a abandonar seus países de origem por causa da guerra, fome e perseguição. “Meu maior medo era não ser capaz de reconhecer o lugar que eu chamei de ‘casa’ por sete anos”, confessa a modelo. “Eu me preparei para o pior.”
Em 2004, Halima, sua mãe e o irmão mais novo receberam autorização para emigrar para os Estados Unidos. Em St. Cloud, no estado de Minnesota, a jovem — e muçulmana praticante — foi eleita rainha do baile de formatura, ao final do Ensino Médio. Halima se tornaria a primeira concorrente do concurso de Miss Minnesota a usar o hijab, em 2016. “O hijab é um símbolo que vestimos sobre nossas cabeças, mas quero que as pessoas saibam que é a minha escolha. Eu o visto porque eu quero vesti-lo”, declarou à época para um jornal local.
Aos 19 anos, a ex-refugiada foi a primeira modelo a usar véu e assinar com a agência IMG, a mesma da modelo Gisele Bündchen. De 2017 para cá, Halima apareceu nas capas das revistas Vogue, Harper’s Bazaar, Teen Vogue e Glamour, além de participar de desfiles em Nova Iorque e Milão. Quando não está sob os flashes das câmeras, a modelo conversa com estudantes sobre a importância da inclusão e da aceitação, usando como exemplo sua história pessoal.
“Esse é o meu ponto principal: você não tem de se adequar. Você não tem de tirar o seu véu”, defende Halima. “Sempre se resume a escolhas: deixar as pessoas viverem o tipo de vida que elas quiserem viver.”
Apesar da alegria com a carreira promissora, a modelo não esquece suas origens — e o sofrimento de outros meninos e meninas vítimas de deslocamento forçado. “Eu me sinto muito culpada às vezes. Eu penso ‘ok, eu tirei o máximo da minha jornada para a América? Eu tirei o máximo da minha vida? (Mas) eu conheço milhões de outras pessoas, outras garotas da minha idade, que ficaram para trás. Elas têm que viver suas vidas aqui (em Kakuma). Eu consegui sair’.”

Migração e refúgio nos Estados Unidos

Com mais de 2 mil crianças separadas à força de seus pais na fronteira sul dos Estados Unidos, a modelo vê como urgente o trabalho de conscientização sobre os direitos dos migrantes menores de idade. “Eu fui uma criança refugiada e não posso nem imaginar o trauma que viria (do fato) de ser arrancada da minha mãe”, afirmou Halima à publicação Teen Vogue, que traz a embaixadora do UNICEF na capa da sua edição de julho.
Para a manequim, a separação deixa os jovens “vulneráveis e exploração e abuso”. “Crianças refugiados são uma questão apartidária”, completa.
Também em entrevista para a revista, Halima defende que os refugiados não querem “piedade”, mas soluções de longo prazo, como educação, água potável e saneamento, e oportunidades para construir uma vida melhor. “O que queremos é ser convidado para a conversa.”
Em 2017, Halima viajou para a fronteira entre o México e a Guatemala, a fim de conhecer a assistência que o UNICEF presta a meninos, meninas e adolescentes da América Central. A região sofre com uma violência contínua causada por gangues e grupos criminosos, além de taxas preocupantes de extrema pobreza.
A modelo lembra que, em Kakuma, recebeu apoio da agência das Nações Unidas. “Antes de conseguir assinar meu próprio nome, eu (já) conseguia soletrar UNICEF.”
Com o título de embaixadora, Halima se une ao time de personalidades, como as cantoras P!NK e Selena Gomez e a atriz Lucy Liu, que emprestam sua fama e sua visibilidade para promover os direitos das crianças e dos adolescentes.
Posted: 09 Jul 2018 01:09 PM PDT
Pescadores no México. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark
Pescadores no México. Foto: Banco Mundial/Curt Carnemark
Até 2030, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) prevê um crescimento de 33% do consumo de pescado na América Latina e no Caribe, de acordo com um novo relatório publicado nesta segunda-feira (9).
Segundo o relatório “O Estado Mundial da Pesca e Aquicultura 2018 (SOFIA, sigla em inglês)”, esse aumento é importante para a região, que atualmente é exportadora de peixes e importante ator do mercado de aquicultura. No entanto, a região tem o menor consumo per capita de peixes do mundo: de apenas 9,8 quilos por ano.
Em 2015, a região consumiu apenas 6,2 milhões de toneladas de pescado, menos que todas as outras regiões do mundo, com exceção da Oceania.
Até 2030, espera-se que o consumo total de pescado aumente em todas as regiões e sub-regiões, com um forte crescimento projetado na América Latina (+ 33%), África (+37%), Oceania (+28%) e Ásia (+20%).
Em termos per capita, é previsto que o consumo mundial de pescado atinja 21,5 kg em 2030, em comparação com 20,3 kg, em 2016. O consumo per capita aumentará em todas as regiões, exceto na África (-2%). As maiores taxas de crescimento são projetadas para a América Latina (+ 18%) e para a Ásia e Oceania (+8% cada região).
No entanto, apesar desses aumentos, o relatório prevê que em 2030 aproximadamente 71% dos peixes disponíveis para consumo humano (184 milhões de toneladas) serão consumidos nos países asiáticos, enquanto que as menores quantidades serão consumidas na Oceania e na América Latina.

Aumento da produção de pesca e aquicultura

O documento prevê que, até 2030, a região cresça 24,2% na produção pesqueira (pesca e aquicultura), passando de 12,9 milhões de toneladas para 16 milhões de toneladas.
Embora atualmente apenas 4% da população mundial dedicada aos setores de pesca e aquicultura vivam na América Latina e no Caribe, na Amazônia brasileira, por exemplo, as famílias obtêm 30% da renda familiar com a pesca.
Até 2030, espera-se que a produção aquícola continue se expandindo em todos os continentes, e novos aumentos são esperados particularmente na América Latina, onde crescerá 49%, saltando de mais de 2,7 milhões de toneladas para mais de 4 milhões de toneladas.
Atualmente, 3,8 milhões de pessoas trabalham em aquicultura na região, 2% do total mundial. O emprego nos setores da pesca e da aquicultura está crescendo moderadamente, enquanto que a produção aquícola experimentou um crescimento sustentável bastante elevado.

Exportador líquido de pescado

A América Latina e o Caribe continuam sendo uma região exportadora de pescado. As exportações latino-americanas, que incluem principalmente camarão, atum, salmão e farinha de peixe de Equador, Chile e Peru, aumentaram em 2016 e, novamente, em 2017, devido à maior produção e uma recuperação nos preços do atum.
Até 2030, as exportações de peixe projetadas da região aumentarão em 29%, de 3,9 milhões de toneladas em 2016 para 5,1 milhões de toneladas. As importações terão um aumento ainda maior de 53%, de 2,3 milhões de toneladas em 2016 para 3,5 milhões de toneladas em 2030.

Queda da captura marinha também afetou o Chile e o Peru

As capturas marinhas totais em todo o mundo foram de 79,3 milhões de toneladas em 2016, o que representa uma diminuição de quase 2 milhões de toneladas em comparação com os 81,2 milhões de toneladas em 2015.
As capturas de anchoveta do Peru e do Chile — que são muitas vezes importantes, mas variam devido à influência do fenômeno climático El Niño — representaram 1,1 milhão de toneladas dessa redução. No entanto, nos últimos dois anos, o Peru continuou a ser o maior produtor e exportador mundial de farinha de peixe e óleo de peixe.

Importância da pesca continental

Os ecossistemas de água doce são importantes fontes de peixes comestíveis e fornecem cerca de 40% de todos os peixes destinados ao consumo humano nos últimos anos. Em pelo menos 11 países da América Latina e do Caribe, 20% ou mais dos que trabalham na pesca de captura trabalham na pesca continental, embora a pesca continental represente apenas 3% das capturas na região.
O impacto da pesca de captura continental pode ser focado em áreas específicas de um país: no Brasil, por exemplo, o consumo médio nacional de peixes de água doce (da pesca de captura continental e aquicultura de água doce) é bastante baixo — somente 3,95 kg per capita por ano em 2013 — mas, na Amazônia, esse mesmo consumo está próximo de 150 kg per capita por ano.
Posted: 09 Jul 2018 12:21 PM PDT
Promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantindo o acesso à justiça para todas e todos é condição essencial para o alcance do desenvolvimento humano sustentável nos próximos anos. Foto: PNUD
Promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantindo o acesso à justiça para todas e todos é condição essencial para o alcance do desenvolvimento humano sustentável nos próximos anos. Foto: PNUD
Promover sociedades pacíficas e inclusivas, garantindo o acesso à Justiça, é condição essencial para o alcance do desenvolvimento humano sustentável nos próximos anos. Isso é o que afirma o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16 – Paz, justiça e instituições eficazes, que faz parte do documento “Transformando Nosso Mundo: a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, aprovado por todos os países membros da ONU, em 2015.
Nesse contexto, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil desenvolve projetos e ações com o foco na promoção de instituições fortes, inclusivas e transparentes para fortalecer a manutenção da paz e o respeito aos direitos humanos.
A metodologia de Segurança Cidadã, desenvolvida pelo PNUD, enfatiza a importância de ações multissetoriais, com foco no território, para a prevenção e controle da violência. A iniciativa é um exemplo de como a cooperação técnica pode apoiar ações voltadas à promoção da paz e do desenvolvimento humano.
Gestores de segurança pública de dez estados já foram formados para desenvolvimento de políticas públicas de segurança cidadã e mais de 7 mil policiais participaram das Jornadas de Direitos Humanos, com foco na abordagem cidadã para a garantia da segurança.
A coordenadora da unidade de Paz e Governança do PNUD, Moema Freire, destaca que “a metodologia de Segurança Cidadã promove uma abordagem integrada e participativa para a construção de soluções voltadas à redução da violência e da criminalidade, enfatizando que a promoção da paz é um fator essencial para o avanço rumo ao desenvolvimento humano sustentável”.
De acordo com o técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Helder Ferreira, os objetivos globais fornecem elementos para promover políticas de segurança de forma holística.
“Os ODS trazem uma oportunidade de uma agenda de prevenção à violência para o Brasil e de governança e transparência na área de políticas públicas. Isso depende diretamente dos três poderes, da sociedade civil e das entidades privadas trabalharem em prol dessa agenda que pode contribuir para o desenvolvimento do país”, disse.
No mês passado, o IPEA e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgaram o Atlas da Violência 2018. Os dados do documento apontaram as desigualdades na distribuição do número de assassinatos entre brancos e negros no país.
A taxa de homicídios para o primeiro grupo foi de 16 por 100 mil habitantes, enquanto para o segundo grupo foi de 40,2 por 100 mil habitantes. Do total de vítimas em 2016, 71,5% eram negras. O documento comprovou a tendência histórica de que a maioria das vítimas de assassinatos no país são jovens negros.
Uma das novidades da edição de 2018 foi o capítulo dedicado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que aponta as metas dos ODS 16 como oportunidades para fortalecer a agenda de prevenção à violência.
No Atlas, também são ressaltadas áreas temáticas que precisam de fortalecimento de políticas públicas para colaborarem diretamente com a diminuição do número de assassinatos.
Saúde, erradicação da pobreza e da fome, maior igualdade de gênero, acesso à energia e saneamento e oportunidades de trabalho decente são algumas das áreas que o relatório aponta como fundamentais para melhorar os índices nacionais.
Segundo o documento, a ação integrada no fortalecimento desses setores é peça-chave para diminuição das desigualdades e, consequentemente, e para a melhoria da qualidade de vida.
Posted: 09 Jul 2018 12:10 PM PDT
O Centro de Excelência contra a Fome apoia países africanos a reproduzir iniciativas brasileiras de alimentação escolar. Na imagem, criança se alimenta em centro do Programa Mundial de Alimentos na Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNPRS), na Etiópia. Foto: PMA/Silvanus Okumu
O Centro de Excelência contra a Fome, mantido pela ONU e pelo Brasil, apoia países africanos e asiáticos a reproduzir iniciativas brasileiras de alimentação escolar. Na imagem, criança se alimenta em centro do Programa Mundial de Alimentos na Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNPRS), na Etiópia. Foto: PMA/Silvanus Okumu
O Centro de Excelência contra a Fome da ONU visitou neste mês a cidade de Adis Abeba, na Etiópia, para discutir a implementação de um grupo de trabalho da União Africana sobre alimentação escolar. Em encontros com representantes do bloco e do Programa Mundial de Alimentos (PMA), a equipe da instituição afirmou seu apoio à iniciativa, que vai ampliar o debate do tema em nível continental.
A primeira reunião do grupo de trabalho acontecerá em outubro, quando serão divulgados uma estratégia e um plano de atividades. O Centro de Excelência — que foi criado por uma parceria entre a ONU, o Brasil e o Reino Unido — apoiará a União Africana e o PMA na elaboração dos documentos, baseando-se em experiências prévias de apoio à alimentação escolar.
De 4 a 6 de julho, o diretor do Centro, Daniel Balaban, e a chefe de programa do organismo, Christiani Buani, participaram de diálogos com Sarah Mbi Enow Anyang, comissária da União Africana para Recursos Humanos, Ciência e Tecnologia da União Africana, Josefa Leonel Correa Sacko, comissária para Economia Rural e Agricultura, e Angelline Rudakubana, diretora do Escritório para a África do PMA.
Centro discute implementação de grupo de trabalho de alimentação escolar da União Africana 👉https://t.co/AKa6Qlajf6 pic.twitter.com/UU1x6uImRl
— WFP Centre in Brazil (@WFP_CEAHBrazil) 9 de julho de 2018
Na pauta das discussões, além do grupo de trabalho, também foi avaliada a participação futura da União Africana no Fórum Global de Nutrição Infantil e em outros eventos de alto nível sobre segurança alimentar e nutricional. Especialistas conversaram ainda sobre os próximos passos para a implementação de uma plataforma online, que permitirá a troca de informações sobre alimentação escolar. Portal tem o apoio do Centro de Excelência.
Posted: 09 Jul 2018 11:33 AM PDT
Voluntária ajuda em coleta de plástico numa praia de Watamu, no Quênia. Foto:
Voluntária ajuda em coleta de plástico numa praia de Watamu, no Quênia. Foto:
Diante das consequências inegáveis da poluição por plásticos, pessoas de todo o mundo estão rejeitando os produtos descartáveis e se comprometendo com estilos de vida mais sustentáveis.
Os governos também estão atuando: mais de 50 países se uniram à campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente, o maior movimento mundial de luta contra o lixo marinho.
As empresas não podem ignorar esse protesto público. Muitas indústrias estão elaborando planos para eliminar os plásticos de uso único, utilizar mais plástico reciclado em suas embalagens e trabalhar em uma reciclagem mais efetiva.
A pressão não provém apenas dos consumidores. Segundo a agência Bloomberg, um grupo de 25 investidores que administra mais de 1 trilhão de dólares em ativos exigiu que Nestlé, PepsiCo, Procter & Gamble e Unilever reduzam seu uso de embalagens plásticas.
A solicitação, apoiada pela organização sem fins lucrativos As You Sow, pede que as empresas divulguem o uso anual de embalagens plásticas, estabeleçam metas de redução e facilitem a reciclagem e a transição para embalagens recicláveis, reutilizáveis ou compostáveis o mais rápido possível.
A necessidade de atuar urgentemente é inegável: os humanos produziram cerca de 8,3 bilhões de toneladas de plástico desde a década de 1950 e a previsão é de que esta cifra aumente para cerca de 34 bilhões de toneladas em 2050. Estima-se que a produção de plástico cresça 40% na próxima década, com companhias de combustíveis fósseis investindo milhões de dólares em novas indústrias de fabricação de plástico nos Estados Unidos.
As empresas que usam plásticos claramente têm um papel fundamental a desempenhar para mudar essa dinâmica insustentável. A indústria de bens de consumo é particularmente consciente de que os clientes já estão rejeitando os produtos das empresas que não evitam o uso de plástico descartável.
A esperança é que esta nova realidade possa gerar inovação e oportunidades. Muitas empresas, grandes e pequenas, estão promovendo mudanças.
Em abril, a gigante suíça dos alimentos Nestlé disse que suas embalagens plásticas seriam 100% recicláveis ou reutilizáveis até 2025. A empresa quer fomentar o uso de plásticos que permitam melhores taxas de reciclagem e eliminem ou mudem as combinações complexas que dificultam a reciclagem.
A Unilever também se comprometeu a garantir que todas suas garrafas plásticas sejam totalmente reutilizáveis, recicláveis ou compostáveis até 2025. A empresa apoia a iniciativa para uma Nova Economia do Plástico da Fundação Ellen MacArthur e pretende publicar até 2020 toda a gama de materiais plásticos utilizados em seus processos de produção de embalagens para ajudar a criar um protocolo para a indústria.
No marco do Dia Mundial do Meio Ambiente, a Volvo anunciou que ao menos 25% dos plásticos utilizados em seus novos modelos de automóveis a partir de 2025 serão fabricados com materiais reciclados.
A gigante de bebidas Coca-Cola, que utiliza cerca de 120 bilhões de garrafas por ano, lançou em janeiro sua campanha World Without Waste, e se comprometeu a reciclar uma garrafa ou lata utilizada para cada nova vendida a partir de 2030. Para este ano, também prometeu aumentar em 50% a quantidade de conteúdo reciclado em garrafas plásticas e está testando diferentes técnicas de coleta para reciclar seus produtos, incluindo o apoio aos esforços dos governos e da indústria.
O McDonald’s disse que produzirá todas as suas embalagens a partir de fontes renováveis e recicláveis até 2025.
A Dell disse que suas embalagens não gerarão nenhum tipo de rejeito até o ano de 2020, utilizando materiais de fontes sustentáveis. A empresa de equipamentos de informática já utiliza lixo marinho plástico reciclado e outros materiais como o bambu, e pretende que todas suas embalagens estejam finalmente aptas à compostagem ou coleta doméstica.
A marca de água mineral Evian, da Danone, disse que fabricará todas as suas garrafas com plástico reciclado até 2025.
A rede britânica de supermercados Iceland prometeu eliminar as embalagens plásticas de seus produtos próprios até o fim de 2023.
A Procter & Gamble, que fabrica o xampu Head & Shoulders, produziu no ano passado a primeira garrafa de xampu reciclável, fabricada com até 25% de plástico recuperado de praias. Além disso, se comprometeu a fazer com que todas as suas embalagens sejam recicláveis ou reutilizáveis até 2030. Sua marca de detergente Fairy Liquid já produziu uma nova garrafa de plástico, feita com material 100% reciclado e 10% de lixo marinho plástico. As garrafas foram produzidas em associação com a empresa de soluções para resíduos de difícil reciclabilidade TerraCycle.
A rede de móveis sueca IKEA se comprometeu a eliminar gradualmente os produtos de plástico de um só uso de suas lojas e restaurantes até 2020. A empresa disse estar comprometida com a eliminação dos plásticos a base de petróleo e quer garantir que todos seus produtos de plástico sejam feitos com materiais reciclados.
Na Grã-Bretanha, o Pacto de Plásticos do Reino Unido busca aproveitar este movimento a favor da mudança. Cerca de 60 empresas, entre elas Coca-Cola, Pepsi, P&G, Unilever e Nestlé, aderiram ao pacto, que inclui metas para eliminar embalagens problemáticas ou desnecessárias mediante redesenho, inovação ou modelos alternativos de entrega, e garantir que 70% das embalagens plásticas efetivamente sejam recicladas ou compostadas.
Em colaboração com a Fundação Ellen MacArthur, a organização de sustentabilidade WRAP lançou o pacto em abril, com a esperança de criar um impulso para uma mudança sistêmica na forma com a qual utilizamos o plástico.
Alguns ativistas argumentam que pelo fato de os objetivos de reciclagem serem voluntários, é necessária legislação para obrigar as empresas a usar plásticos de forma mais sustentável. Peter Skelton, que lidera o pacto por parte da WRAP, disse que a legislação é uma parte importante do quebra-cabeças, e que o apoio do governo pode ser uma ferramenta poderosa, mas que não é a solução definitiva.
“As empresas estão sob tanta pressão dos acionistas, sócios, consumidores e ONGs que só querem saber qual é a melhor solução. Não precisam de mais pressão em termos de legislação, porque veem que os plásticos estão sob ameaça”, disse Skelton.
Uma forma na qual os governos poderão ajudar a explorar essa consciência corporativa seria oferecendo incentivos financeiros para as empresas que exploram alternativas ao plástico. Isso poderia incluir reembolsos de impostos, fundos de pesquisa e desenvolvimento, incubação de tecnologias, alianças público-privadas e apoio a projetos que reciclem artigos de um só uso e convertam os resíduos em recursos. O objetivo seria impulsionar a inovação empresarial.
Em um relatório recente, a ONU Meio Ambiente examinou o potencial de substituir os plásticos convencionais com uma gama de materiais naturais, como papel, algodão, madeira, algas e fungos, e tecnologias alternativas, e biopolímeros de nova geração, fabricados a partir de fontes de biomassa. Também destacou empresas, de multinacionais a pequenos empreendimentos, que estão inovando nesse campo.
Por exemplo, uma empresa com sede em Nova Iorque desenvolveu garrafas compostáveis que utilizam rejeitos orgânicos e micélio fúngico. O material pode ser modelado e usado para enviar produtos de alto valor, incluindo computadores Dell.
O relatório concluiu que as empresas devem incluir a sustentabilidade em seus modelos comerciais, às vezes inspirando-se nas comunidades locais, para encontrar alternativas ao plástico disponíveis a partir de plantas e animais. A inovação e o espírito empresarial são fundamentais. Sem dúvida, este é precisamente o domínio no qual devem brilhar as empresas líderes do mundo.
Posted: 09 Jul 2018 11:15 AM PDT
Lideranças quilombolas se reúnem com governo e parceiros para discutir o censo demográfico de 2020. Foto: UNFPA Brasil
Lideranças quilombolas se reúnem com governo e parceiros para discutir o censo demográfico de 2020. Foto: UNFPA Brasil
Para discutir estratégias de inclusão da população quilombola no censo brasileiro de 2020, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reuniram neste mês, em Brasília, lideranças comunitárias e ativistas. Encontro discutiu avanços e desafios para garantir que o questionário do IGBE tenha perguntas sobre autoidentificação e pertencimento a povos tradicionais.
Segundo o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal, o apoio da ONU à iniciativa de inserir essas comunidades no levantamento vai ao encontro dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
“Considerar a população quilombola é fundamental para garantir que compremos o desafio de não deixar ninguém para trás. É colocar a população quilombola no centro ressaltando a importância desse povo tradicional e ancestral como indivíduos de direito”, avalia.
Realizado entre os dias 3 e 5 de julho, na Casa da ONU, o evento teve a participação de representantes quilombolas organizados na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).
Para Miriam Barbuda, diretora adjunta da Diretoria de Geociências do IBGE, num país de dimensões continentais como o Brasil, os cadastros ajudam a obter uma referência de onde estão as comunidades mais tradicionais. “Essas comunidades têm uma ocupação fundiária considerável dentro do território nacional e estão bem espalhadas. Então, a atualização do mapeamento nos ajuda a identificar geograficamente como esses grupos se relacionam com o meio ao seu redor”, explica.
As equipes responsáveis por atualizar a pesquisa do IBGE trabalham para criar mecanismos de captação das novas informações, elaborando perguntas adequadas para garantir a inclusão dos quilombolas.
Segundo Guinê Ribeiro, quilombola do Maranhão, é importante ter um quantitativo oficial, a fim de pensar políticas públicas para os povos tradicionais e para a população negra. “Os anos de diálogo com o governo e parceiros fazem com que as comunidades sejam protagonistas de suas próprias histórias e possam sair da invisibilidade, já que a população negra constitui a maioria do país.”
Além do IBGE, UNFPA e sociedade civil, também participaram do seminário representantes da Fundação Cultural Palmares, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). As instituições trabalham com a produção de informações sobre os quilombolas.
Posted: 09 Jul 2018 11:02 AM PDT
Desde agosto de 2017, mais de 650 mil refugiados rohingya deixaram Mianmar rumo a Bangladesh em busca de segurança. Ali, vivem em condições precárias nos campos de refugiados superlotados e carecem de necessidades básicas. Foto: ACNUR/Roger Arnold
Desde agosto de 2017, mais de 650 mil refugiados rohingya deixaram Mianmar rumo a Bangladesh em busca de segurança. Ali, vivem em condições precárias nos campos de refugiados superlotados e carecem de necessidades básicas. Foto: ACNUR/Roger Arnold
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) inaugura amanhã (10), em São Paulo, a exposição fotográfica “Faces do Refúgio”. Mostra apresenta 52 fotografias que retratam as principais crises de deslocamento forçado da atualidade, causadas por conflitos em países como Síria, Sudão do Sul, República Democrática do Congo e Mianmar. Imagens serão exibidas na loja-conceito da Mitsubishi Motors, no Shopping JK Iguatemi.
A iniciativa apresenta histórias de resiliência sobre crianças, homens e mulheres que enfrentaram graves violações de direitos humanos e buscam uma oportunidade de reconstruir suas vidas. A curadoria da exposição foi realizada pelo ACNUR em conjunto com o Atelier Vanessa Poitena.
Dados do organismo das Nações Unidas indicam que mais de 68 milhões de pessoas no mundo estão fora dos seus locais de origem devido a guerras, confrontos e perseguições. Mais informações podem ser encontradas no relatório “Tendências Globais”, que reúne estatísticas coletadas pelo ACNUR sobre deslocamento forçado.
De acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), o Brasil reconheceu até o final de 2017 um total de 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. Destes, 5.134 continuam no país na condição de refugiado — 52% moram em São Paulo, 17% no Rio de Janeiro e 8% no Paraná. Os sírios representam 35% da população refugiada com registro ativo no Brasil. Os estrangeiros que não mantiveram a condição de refugiado podem ter retornado voluntariamente ao seu país de origem ou ainda ter se naturalizado brasileiros.
Com entrada gratuita, a exposição ficará em cartaz até 23 de julho.
Clique aqui para fazer o download das fotos de divulgação da exposição.
Serviço
Exposição “Faces do Refúgio”
Data: de 10 a 23 de julho no MIT Point – Shopping JK Iguatemi, Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 2041, Piso Térreo
Horário de funcionamento: de segunda a sábado (das 10h às 22h) e aos domingos e feriados (das 14h às 20h).
Classificação indicativa: Livre.
Entrada franca.
Contatos de imprensa:
Thereza Jatoba, jatoba@unhcr.org, (11) 94018-0719
Posted: 09 Jul 2018 09:47 AM PDT
Na África, pela primeira vez, o acesso está crescendo mais depressa do que a população. Foto: Banco Mundial/John Hogg
Parceria entre Banco Mundial e Caixa Econômica Federal visa melhorar eficiência energética das cidades e das indústrias do Brasil. Foto: Banco Mundial/John Hogg
Um novo instrumento financeiro permitirá que o Brasil eleve seu investimento em infraestrutura urbana e garanta a sustentabilidade do consumo e produção de energia. O projeto FinBRAZEEC, do Banco Mundial e Caixa Econômica Federal, vai catalisar recursos do setor privado e de fundos climáticos para criar novos mercados nas áreas de iluminação pública e eficiência energética industrial.
Em 2015 e 2016, a disponibilidade reduzida de recursos públicos no Brasil exacerbou a lacuna no financiamento da infraestrutura e evidenciou a urgência da inclusão de fundos privados na equação. “Com essa prática, a CAIXA tem a oportunidade de desenvolver mecanismos inovadores de financiamento, que possibilitam a captação de novos investidores”, afirmou Antonio Silveira, diretor-executivo de Saneamento e Infraestrutura do organismo financeiro.
A elevada taxa de urbanização do Brasil (86% em 2018) torna os investimentos em eficiência energética urbana cruciais para as metas do país junto ao Acordo de Paris. Um dos compromissos firmados pelas autoridades é melhorar em 10% a eficiência energética do setor elétrico até 2030.
“O projeto FinBRAZEEC constitui uma das primeiras reais estruturas de financiamento de projetos no mercado brasileiro”, avalia o diretor do Banco Mundial no Brasil, Martin Raiser.
“Seu modelo de financiamento inovador nos ajudará a desbloquear o potencial de investimento nos setores de iluminação pública e eficiência energética industrial, que já haviam sido identificados como particularmente promissores para soluções baseadas no mercado. Mas esperamos que o exemplo incentive abordagens semelhantes também em outras áreas.”
Por meio do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD), o Banco Mundial concederá um empréstimo para o projeto de 200 milhões de dólares. O montante da instituição será combinado com recursos do Fundo Verde para o Clima (GCF) e do Fundo de Tecnologia Limpa (CTF).
O Banco Mundial fará uma parceria com a Caixa Econômica Federal, segunda maior instituição financeira estatal da América Latina e quarto maior banco do Brasil, como intermediário financeiro e mutuário do BIRD e dos fundos climáticos. O órgão brasileiro liderará a formação do consórcio de credores comerciais e criará um mecanismo de garantias parciais de crédito.
“A abordagem criativa dos novos instrumentos financeiros do FinBrazeec galvaniza a experiência do Banco Mundial no fortalecimento de mercados de classe de ativos voltados para a infraestrutura que sejam realmente modernos, domésticos e de risco reduzido para investidores”, aponta Antonio Barbalho, gerente do Banco Mundial no setor de Prática para Energia na América Latina e Caribe.
O mecanismo abrange as melhores práticas de preparação de projetos de infraestrutura e oferece características de flexibilidade para mobilizar finanças privadas enquanto gerencia e mitiga riscos.
A previsão dos parceiros é de que o FinBRAZEEC mobilize mais de 1,1 bilhão de dólares. O projeto terá 180 milhões de dólares em fundos de contraparte, além de 195 milhões de dólares em fundos climáticos do GCF e 25 milhões do CTF. A iniciativa também visa alavancar 730 milhões de dólares em dívida comercial e capital próprio, configurando-se como exemplo de Maximização do Financiamento para o Desenvolvimento.
O projeto também se beneficiará de um forte programa de assistência técnica, apoiado por uma verba de 4 milhões de dólares do GCF e de 1 milhão de dólares do Programa de Assistência à Gestão do Setor Energético (ESMAP) e da Global Infrastructure Facility (GIF), executados pelo Banco Mundial. Os recursos serão usados para aumentar a capacidade que a Caixa tem de implementar produtos financeiros inovadores e auxiliar o desenvolvimento de subprojetos.
A sigla FinBRAZEEC vem do inglês Financial Instruments for Brazil Energy Efficient Cities, que, em tradução livre, significa Instrumentos Financeiros para Cidades do Brasil com Eficiência Energética.
Posted: 09 Jul 2018 08:32 AM PDT
Da esquerda para direita, o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Foto: Programa Municipal DST/AIDS
Da esquerda para direita, o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, a diretora do UNAIDS no Brasil, Georgiana Braga-Orillard, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Foto: Programa Municipal DST/AIDS
A Prefeitura de São Paulo ratificou neste mês (5) seu compromisso com a Declaração de Paris, um documento das Nações Unidas que prevê a aceleração da resposta à epidemia de HIV. O prefeito Bruno Covas também renovou a parceria do município com o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS (UNAIDS) e com as metas 90-90-90 do organismo.
Assinada em novembro de 2015 pela capital paulista, a Declaração de Paris traça uma estratégia para que cidades consigam acabar com a AIDS, como problema de saúde pública, até 2030. Um dos itens desse plano é o cumprimento das metas 90-90-90. Os objetivos determinam que, até 2020, 90% das pessoas vivendo com HIV estarão cientes de seu estado sorológico positivo, 90% dos indivíduos com o vírus estarão sob tratamento e 90% das pessoas em terapia estarão com a carga viral indetectável.
“Um dos principais gargalos que enfrentamos hoje é o fato de o tema do HIV ter saído de pauta e também desse falso senso comum de que agora está tudo sob controle com os novos medicamentos”, afirmou Covas durante encontro com diretora do UNAIDS no Brasil, Georgia Braga-Orillard. “Esse desafio cultural é um dos maiores a serem vencidos”, completou o chefe do Executivo.
De acordo com dados do Programa Municipal DST/AIDS, a cidade de São Paulo diagnosticou 76,5% das 99 mil pessoas que, segundo estimativas, vivem com HIV. Dos casos identificados, 65% envolvem indivíduos que estão em tratamento — cerca de 49,4 mil pessoas. Dessa população, 93% — ou quase 46 mil pessoas — estão com carga viral indetectável.
De acordo com dados do Ministério da Saúde de 2016, a taxa de detecção de AIDS no município é de 20,9 casos para cada 100 mil habitantes. A média do Brasil é 18,5.
“São Paulo está no centro da resposta para a epidemia de HIV no Brasil. A liderança do município neste processo é fundamental para que o país consiga alcançar as metas 90-90-90, não somente pelo tamanho de sua população, mas também pela qualidade da resposta que tem demonstrado nestes últimos anos”, disse Braga-Orillard.
“A liderança e o exemplo de São Paulo serão certamente muito importantes para outras cidades da América Latina e tantas outras ao redor do mundo, já comprometidas com a Declaração de Paris.”
Também participaram da reunião o secretário municipal de Saúde, Wilson Pollara, e a coordenadora do Programa de DST/AIDS da cidade, Maria Cristina Abbate.
No Brasil, além de São Paulo, outras 41 cidades, dois estados — Rio Grande do Sul e Santa Catarina — e o Distrito Federal já assinaram a Declaração de Paris. Juntas, essas localidades são o lar de uma população de mais de 47 milhões de brasileiros.


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